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01 agosto 2016

O futebol nas Olimpíadas

Daqui a alguns dias, o futebol do Brasil, representado por 18 homens e 18 mulheres, tentará um título inédito para a nação mais vitoriosa do esporte bretão.

A medalha de ouro é uma ambição, e menos do que isso se tornará uma decepção para o povo brasileiro. Homens e mulheres já bateram na trave inúmeras vezes, entretanto, dentro de casa, a esperança que o ouro inédito venha é enorme. 

Neymar e Marta são as principais esperanças dos brasileiros em busca do Ouro.

futebol foi o segundo esporte coletivo a entrar oficialmente nos Jogos Olímpicos, atrás apenas do polo aquático, em 1908


Em 1896 e 1904, o futebol foi introduzido nas Olimpíadas, porém apenas como esporte de exibição. Porém em 1896 a disputa no futebol foi cancelada por falta de participantes.

Nos jogos Olímpicos de 1908, em Londres, ele passou a ser oficial. Desde então, nas Olimpíadas seguintes, o futebol só ficou fora em Los Angeles, 1932. O futebol feminino, só foi integrado em Atlanta, 1996.


Para quem não sabe, as Olimpíadas era a principal competições entre seleções, até o surgimento da FIFA.  instituição foi fundada em 1904. Até a decisão de realizar um campeonato mundial de seleções (decisão tomada em 1928 e disputada em 1930, no Uruguai – que teve os donos da casa campeão), a disputa das Olimpíadas era considerada como uma “Copa do Mundo”. O Uruguai só conseguiu o direito de realizar a Copa de 1930 por ser bicampeã olímpica.

Após a realização da mesma, passou a ser disputado por seleções amadoras. Para Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin, re-criador das Olimpíadas, o esporte seria mais nobre se praticado por prazer, não por dinheiro. Dessa forma, ordenou que o futebol só poderia ser representado por jogadores amadores, por isso algumas seleções tinham vantagens. Seleções como Japão e Irã, podiam enviar suas seleções principais, por não ter o futebol como profissional, e os países comunistas tinham todos os seus jogadores a disposição, pois o futebol era uma atividade paralela.

Desde os Jogos de 1992, em Barcelona, somente jogadores abaixo de 23 anos (as chamadas sub-23) podem ir as Olimpíadas representar seus países no futebol masculino, além de mais três jogadores acima dos 23 anos (essa regra introduzida nos Jogos de 1996).

Brasil nas Olimpíadas 

O futebol masculino brasileiro participou de 11 Olimpíadas, conquistando quatro medalhas (duas pratas, em 1984 e 1988, e dois bronzes, em 96 e 2008). De 1952 para cá, o Brasil não se classificou para a disputa de três Olimpíadas no futebol, que foram em 80, 92 e 2004.

- 1952 
Seleção Olímpica de 1952. Em pé: Mauro, Carlos Alberto, Waldir, Zózimo, Édson e Adésio. Agachados: Mílton, Humberto Tozzi, Larry, Vavá e Jansen



Na estreia, goleou a Holanda por 5 a 1, derrotou depois Luxemburgo por 2 a 1, mas acabou eliminada pela Alemanha por 4 a 2 nas quartas-de-final - ficou com a quinta colocação. 

Do time de 1952, dois jogadores acabariam bicampeões do mundo, em 1958 e 1962: o zagueiro Zózimo, do Bangu, e o centroavante Vavá, do Vasco. 

A Hungria foi a grande campeã e ficou com a medalha de ouro.


- 1960 



A Iuguslávia levou a medalha de ouro em 1960. Dinamarca e Hungria completaram o pódio. O Brasil caiu ainda na primeira fase, com uma vitória por 4x3 diante da Grã-Bretanha, uma derrota por 3x1 para a Itália e uma goleada sobre a China, por 5x0, mas só os líderes de cada chave passavam, e os italianos foram 100%.

- 1964



Em 1964, o Brasil fez uma boa primeira fase, mas não avançou para as quartas de final. Estreou com um 1x1 diante da República Árabe Unida, venceu a Coréia do Sul por 4x0 e empatou com Checoslováquia por 1x1, ficando na 9ª colocação do torneio. 

A Hungria conquistou o ouro, Checoslováquia a prata e a Alemanha o bronze.

- 1968

Sem muitos registros e com uma campanha vergonhosa, o Brasil se despediu sem nenhum vitória. Com uma derrota para a Espanha por 1x0 na estreia, a seleção empatou por 1x1 com o Japão e 3x3 com a Nigéria. 

A medalha de ouro ficou com a Hungria, enquanto a prata com a Bulgária e o Japão levou o bronze.

- 1972 

Com Falcão e Roberto Dinamite, o Brasil não conquistou a medalha de ouro.
Parecia que seria dessa vez que a Seleção conquistaria o inédito ouro, mas não foi. Apesar de chegar como a Seleção tricampeã do mundo, depois do show na Copa de 70, o esquadrão amarelo, comandados por Falcão e Roberto Dinamite, foi eliminado ainda na primeira fase, com a pior campanha da história do futebol brasileiro. 

Um empate com a Hungria por 1x1, uma derrota por 1x0 para a Dinamarca e um vexatório tropeço diante do Irã marcaram a seleção.

Alguns jogadores que fizeram parte do elenco da Seleção Brasileira que disputou os Jogos de 1972: Nielsen, Terezo, Abel Braga, Osmar, Celso, Bolívar, Falcão, Rubens Galaex, Pedrinho, Washington, Zé Carlos, Manoel, Roberto Dinamite e Dirceu.

A Polônia conquistou a medalha de ouro, a Hungria ficou com a prata e a União Soviética com o bronze.

- 1976


Pela primeira vez o time chegava à uma semifinal olímpica. A equipe era dirigida por Cláudio Coutinho (que também treinou o Brasil na Copa de 1978) e tinha um bom elenco como o goleiro Carlos (futuro titular do Brasil na Copa de 1986), o zagueiro Edinho, o lateral Júnior ( que se consagraria no Flamengo) e o meio campo Batista. Na estréia um empate sem gols contra a Alemanha Oriental ( que ganharia a medalha de ouro) e uma vitória contra a Espanha por 2 x 1. Nas quartas de final uma goleada de 4 x 1 contra a seleção de Israel. Entre os semifinalistas, o Brasil era o único time fora da cortina de ferro. Não foi possível derrotar os “amadores” poloneses. Derrota de 2 x 0. Na disputa do bronze, mais uma derrota, 2 x 0 para a União Soviética.



- 1984



Com a recusa dos clubes brasileiros em ceder seus atletas para a Olimpíada de Los Angeles, o Internacional de Porto Alegre se prontificou a mandar sua equipe representando o Brasil nos jogos. Dunga, Mauro Galvão, Gilmar Rinaldi e outros bons jogadores formaram a base da seleção em Los Angeles. 

Ao todo, foram 11 atletas do Internacional: o goleiro Gilmar, o lateral-esquerdo André Luís, os zagueiros Pinga e Mauro Galvão, os meias Tonho, Ademir Kaefer, Mílton Cruz, Paulo Santos e Dunga, e os atacantes Kita e Silvinho. Além deles, a Seleção contou com o goleiro Luís Henrique (Ponte Preta), o lateral direito Ronaldo (Corinthians), o zagueiro Davi (Santos), o volante Chicão (Ponte Preta) e os meias Gilmar Popoca (Flamengo) e Tonho (Aimoré-RS).

O Brasil começou bem, goleando a Arábia Saudita por 3x1 com gols de Gilmar, Silvinho e Dunga. Depois bateu Marrocos por 2x0, gols de Dunga e Kita. Contra a Alemanha Oriental, um duríssimo 1 a 0 que só saiu no finalzinho do jogo, através de Gilmar Popoca.

Nas quartas, um empate no final de jogo, com gol de Popoca, levou o confronto diante do Canadá para os pênaltis. Foi a vez de Gilmar Rinaldi brilhar e defender duas cobranças. 

Na semi-final, o Brasil eliminou a Itália, atual campeã do mundo, com uma vitória por 2x1. No tempo normal, 1x1, na prorrogação, Ronaldo, jogador do Corinthians, fez o gol da vitória brasileira. 

Na final, o Brasil não foi páreo para a França e foi derrotado por 2x0.   François Brisso e Daniel Xuereb marcaram os gols da vitória francesa para impressionantes 102 mil torcedores no Rose Bowl.



O bronze ficou com a Iugoslávia.

- 1988


























Talvez, a seleção mais forte que já nos representou em Olimpíadas, a geração de 1988, ficou com a medalha de prata. 

Taffarel, Bebeto, Romário, Geovani, Mazinho, Neto e outros jogadores que viriam a se consagrar, formaram uma seleção de peso para a conquista do inédito ouro, mas pararam na final.

Após um início arrasador, com uma goleada por 4x0 diante da Nigéria e um 3x0 sobre a Austrália, a Seleção penou para vencer a Iugoslávia por 2x1, no fechamento da primeira fase. 
Só nos primeiros dois jogos, Romário fez 5 gols se tornando a principal estrela e artilheiro do torneio e despertou a cobiça do PSV Eindhoven que o contratou tão logo os jogos terminaram.

O Brasil venceu a Argentina nas quartas de final por 1 x 0 e foi para a semifinal contra a Alemanha que tinha outro destaque no torneio: o centroavante Klinsmann. 

Em um jogaço, a estrela de Taffarel brilhou. No tempo normal, o jogo seguia 1x1, quando a Alemanha teve um pênalti a seu favor. O gol poderia acabar com o sonho brasileiro, mas o arqueiro pegou a penalidade e levou a partida para os pênaltis. 

Nos penais, mais uma vez sua estrela brilhou, com duas defesas e a vaga na final.

Na finalíssima, o Brasil não demonstrou o mesmo futebol, sentiu a pressão e foi derrotado por 2x1 pela União Soviética. Romário abriu o placar, mas os soviéticos empataram no tempo normal e liquidaram na prorrogação. 

O bronze ficou com a Alemanha Ocidental.

- 1996 

O torneio feminino de futebol passou a integrar a agenda Olímpica em Atlanta 1996, quase 100 anos após a estreia masculina nos Jogos. 



Em sua primeira temporada, a Seleção Feminina quase conseguiu uma medalha. Na estreia, um empate em 2x2 com a Noruega. No segundo jogo, uma boa vitória diante do Japão, por 2x0, praticamente garantiu a passagem de fase. No último jogo, o Brasil empatou em 1x1 com a Alemanha. 

Nas quartas de final, a Seleção Brasileira foi superada pela China, em um jogo muito disputado, no qual as chineses saíram vencedoras por 3x2. 

Na disputa pelo bronze, a Noruega bateu o Brasil por 2x0.



No masculino, um dos episódios mais marcantes em Olimpíadas, a vitória nigeriana sobre o Brasil. 

Com as novas regras do COI o técnico Zagallo teve a oportunidade de chamar três jogadores experientes para os jogos. E os escolhidos foram Aldair, Bebeto e Rivaldo, além de jovens promessas como Roberto Carlos e Ronaldo. 

Logo na estreia, o primeiro vexame, o Brasil saiu derrotado por 1x0 para o Japão. Nos jogos seguintes, conseguiu se recuperar, venceu a Hungria e a Nigéria. 

Nas quartas de final, o Brasil teve dificuldades, mas passou de Gana ao vencer por 4x2. Na semi-final, o Brasil vencia a Nigéria por 3x1, com muita facilidades, mas uma falha de Rivaldo colocou os ganeses de volta na partida. A seleção sentiu o gol sofrido e Kanu aproveitou para empatar e levar a partida para a prorrogação. 

No tempo extra, uma nova regra da FIFA vigorava, o gol de ouro, ou seja, quem marcasse primeiro garantia a classificação. O Brasil ainda estava atordoado e não conseguiu impedir o gol de Kanu, 4x3 para os nigerianos e uma amarga eliminação.

Na disputa pelo bronze, um sonoro 5x0 em Portugal e mais uma medalha para o Brasil.

- 2000



Em Sidney, o futebol feminino já era aposta por medalha para o Brasil. Na primeira fase, duas vitórias e uma contestável derrota para a Alemanha por 2x1.  Nas semi de final, a seleção sucumbiu aos Estados Unidos e foi derrotada por 1x0. Na disputa do bronze, um nova derrota para a Alemanha e nada de medalha.



Vanderlei Luxemburgo abdicou dos três nomes acima dos 23, com a prerrogativa que iria rachar o grupo, mas a falta de experiência durante a competição foi crucial para a queda brasileira. 

Com Ronaldinho Gaúcho e Alex em grande fase, o Brasil era o principal candidato ao ouro, mas não foi bem assim na competição.

Apesar de uma boa estreia diante da Eslováquia, um 3x1 convincente, o pior ainda estava por vir. Contra a África do Sul, um 3x1 impactante deixava o clima da Seleção Brasileira muito pesado. Contra o Japão, uma simples vitória por 1x0 não afastou o ar de desconfiança.

Nas quartas de final, o castigo, diante de Camarões, a Seleção jogou muito mal e foi eliminada. Mesmo com um gol achado aos 49 do segundo tempo, que levou a partida para a prorrogação, os camaroneses garantiram a classificação com o gol de ouro. A vergonha foi ainda maior, pois Camarões tinha dois jogadores a menos. 

- 2004

Somente a seleção feminina representou o Brasil em Atenas, 2004.  Na primeira fase, o Brasil tinha duas pedreiras pela frente: EUA e Austrália, além das donas da casa. Com uma vitória por 1x0, na estreia, diante das australianas, o Brasil perdeu por 2x0 para as americanas e goleou as gregas por 7x0.

Nas quartas de final, um sonoro 5x0 diante do México garantiu o Brasil em mais uma semi-final. Na fase seguinte, contra a Suécia, 1x0 emocionante para garantir mais um medalha e a primeira medalha para o futebol feminino. 

Na final, as americanas no caminho, e uma derrota dolorosa. Após um empate por 1x1 no tempo normal, Wambach marcou o gol do título americano no fim da prorrogação.



- 2008



Em 2008, a Seleção feminina queria confirmar a evolução, e para isso, a medalha de ouro era obsessão. 

Na estreia, um empate por 0x0 diante da Alemanha. Nos jogos seguintes, duas vitórias, sobre Coréia do Norte e Nigéria. 

Nas quartas de final, um jogo duro contra a Noruega, mas a vitória veio. Com Marta inspirada, 2x1 sobre as norueguesas. Na semi -final, um dos jogos mais memoráveis do futebol feminino, uma goleada por 4x1, com direito a show de Marta e Cristiane.

Na final, mais uma vez, a Seleção iria enfrentar as americanas e, de novo, o mesmo resultado: prata para o Brasil. 

Na prorrogação, Lloyd marcou o gol que culminou com mais um título dos EUA.




Uma geração muito promissora, onde poucos se tornaram o que todos esperavam. Comandados por Ronaldinho Gaúcho, já em decadência, a Seleção Brasileira não rendeu o esperado, mesmo com a boa campanha.

Na primeira fase, Bélgica, Nova Zelândia e China não foram páreos para a Seleção Brasileira. Nas quartas de final, um antigo carrasco pela frente: Camarões. Diante dos africanos, a Seleção não teve dificuldades e garantiu vaga na semi-final. 

Na semi, duas gerações se chocavam para definir quem iria para a final. De um lado, a promissora geração brasileira e do outro a melhor geração argentina dos últimos tempos. Esperava-se um duelo equilibrado, mas o que se viu foi um massacre argentino, com um sonoro 3x0, com show de Messi, Riquelme, Aguero, Dí Maria e outros. 

Na disputa do terceiro lugar, o Brasil goleou a Bélgica e garantiu a medalha de bronze.

- 2012



No futebol feminino, todos esperavam que ouro viria sem falta, mas sem o mesmo poderio físico das outras seleções, as meninas tiveram dificuldades. Mesmo com a goleada, na estreia, sobre Camarões por 5x0, o Brasil não encantou. Uma vitória por 1x0, no apagar das luzes, contra a Nova Zelândia e uma derrota por 1x0 para a Grã-Bretanha encerraram a primeira fase.

Nas quartas de final, um confronto duro diante das japoneses. A velocidade do time asiático impressionava, assim a seleção feminina não conseguiu fazer frente e foi derrotada por 2x0, dando adeus a competição de forma precoce. 



Sem nenhuma pedreira pela frente, a Seleção Brasileira, enfim, parecia que não teria dificuldades para conquistar o ouro.

Na primeira fase, apesar do susto na estreia, vencer Egito, Bielorússia e Nova Zelândia sem muitas dificuldades.

Nas quartas de final, com muita dificuldade, bateu Honduras por 3x2 e garantiu vaga na semi-final.

Na semi, o melhor jogo dos comandados de Mano na competição. Uma vitória por 3x0 dava um amplo favoritismo para a final diante do México.

Na final, muitos erros e nervosismo marcaram a Seleção. Com muitas falhas individuais, o Brasil perdeu por 2x1 para o México e ficou com a prata. 

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