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27 outubro 2016

O único título internacional do Botafogo teve a marca registrada do Capita

Carlos Alberto Torres levou o Botafogo a sua única glória internacional
O ano de 1993 começou mal para o Botafogo. O clube vivia uma crise financeira das mais cruéis de sua história e não pôde montar uma equipe competitiva para a temporada. Sofreu no campeonato carioca, terminou em quinto na classificação geral. No brasileiro não foi diferente, o 19º lugar mostrava a fragilidade da equipe carioca. Porém, paralelo ao campeonato nacional o clube disputava a Copa Conmebol, equivalente hoje a Copa Sulamericana. Era a segunda edição do torneio, a primeira havia sido vencida pelo Atlético-MG no ano anterior. 

O Botafogo vice campeão do Campeonato Brasileiro de 1992 era uma máquina, um time competitivo e forte: Valdeir, Carlos Alberto Dias, Márcio Santos e Renato Gaúcho eram algumas peças que faziam parte daquele timaço de General Severiano. Entretanto a base não foi mantida para 1993, e o clube acabou perdendo todos os atletas ao final da temporada. Restou a diretoria montar um time modesto, bem aquém do anterior. 

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Willian Bacana, Nelson, Eliel, Perivaldo e Sinval foram os contemplados à vestir a camisa do Fogão. Para comandar esses caras a diretoria tinha que trazer alguém de pulso, uma figura de moral e com Know-how para segurar a turbulência dentro e fora das quatro linhas. 

Ao final do campeonato carioca, Mauro Ney Palmeiro, então presidente do Botafogo, fez o convite inusitado para o Capitão do Tri: "Tá a fim de ir para um clube quebrado e sem dinheiro para te pagar?".  Carlos Alberto Torres aceitou o convite, arranjou uns amistosos preparatórios e ficou com o dinheiro arrecadado nessas partidas como forma de pagamento. Depois partiu na aventura de comandar um clube quase falido. 

O treinador assumiu o time e conseguiu o que ninguém imaginava, deu ao clube carioca sua maior glória internacional. O Botafogo tem 23 títulos internacionais, mas apenas a Conmebol de 1993 tem a chancela da FIFA. E até hoje é o único clube carioca a conseguir ser campeão continental dentro do Maracanã. 

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Os heróis do título.
Nélson, André, Perivaldo, Clei, Cláudio, William Bacana (em pé): Aléssio, Suélio, Eliel, Sinval e Marcelo (agachados)


Conmebol 1993

O campeonato foi disputado com dezesseis equipes de oito países: Brasil, Argentina, Chile, Equador, Venezuela, Paraguai, Uruguai e Peru. 

Os representantes brasileiros foram: Atlético/MG (1º colocado da Conmebol 1992), Botafogo (2º colocado do Brasileiro 1992), Vasco (3º colocado do Brasileiro 1992),Bragantino (4º colocado do Brasileiro 1992) e Fluminense (2º colocado da Copa do Brasil 1992).

Não havia fase de grupos naquela edição, a fórmula de disputa era no modelo de mata mata. Com isso os confrontos iniciais já valiam pelas oitavas de final, o que deixava o torneio mais atrativo para o público. 

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A Campanha

O time da estrela solitária começou a campanha do título diante do Bragantino. No primeiro jogo, em Caio Martins, aplicou 3 a 1 pra cima dos paulistas. No jogo da volta, em Bragança, outra vitória, dessa vez um 3 a 2. 

Nas quartas de final o time de Carlos Alberto enfrentou o Caracas, da Venezuela. No jogo de ida, Sinval marcou o único gol da partida. O placar mínimo deu tranquilidade aos cariocas que venceram a partida de volta com um consistente 3 a 0 pra cima dos venezuelanos. O sonho do título ia ficando cada vez mais real e as semi finais era diante do Atlético-MG, os atuais campeões.

O Galo abriu a série com um 3 a 1 dentro do Mineirão. Os comandados do "capita" tinham agora que reverter uma situação adversa pela primeira vez no campeonato. Na partida de volta o glorioso cresceu, e novamente aplicou um 3 a 0 na competição. O Fogão caminhava firme e forte rumo a taça e na final a parada era dura, o multicampeão Peñarol era a bola da vez.

Antes da final contra os uruguaios uma situação chamou a atenção de todos dentro do clube. O ex- presidente Mauro Ney conta que tentaram entregar umas fitas de vídeo com lances do rival para Carlos Alberto Torres, a reação do ex-lateral da seleção foi: "Pra que essas fitas? Tem o Garrincha aí?". O ex dirigente do clube conta que os jogadores acreditavam no comandante e confiavam 100% nele: "Aquela campanha é do Capitão. Ele tinha a capacidade de motivar os caras que ninguém mais tinha. Os garotos adoravam ele".

Ingresso da decisão, 45 mil botafoguenses pagaram CR$ 500,00 cruzeiros, cerca de R$ 50 reais para acompanhar o título do clube carioca

Veio então a final. O jogo de ida foi disputado no Uruguai, o experiente treinador conseguiu montar bem seu time para a partida, que a essa altura da competição já era cascudo o suficiente pra chegar em pleno centenário e encarrar os rivais de igual pra igual. O Botafogo trouxe o empate fora de casa. O 1 a 1 na primeira partida dava confiança a torcida, que cansada de sofrimento via a glória de perto. 

Chegou então a grande final, o último jogo daquele time contestado. Era a chance que eles tinham de ficar marcados para a história do glorioso cariocaGarrincha, Nilton Santos, Jairzinho e Didi não conseguiram colocar o Botafogo no radar de títulos internacionais (reconhecido pela FIFA).

Comemoração dos jogadores ao final da disputa de pênaltis

O jogo não foi fácil, os uruguaios abriram o placar com Bengoechea ainda no primeiro tempo. Na etapa final Eliel e Sinval viraram o marcador, mas a camisa do clube uruguaio pesou e o empate veio aos 45' do segundo tempo, o jogo ia para os pênaltis. 

Agora as atenções se voltavam para Willian Bacana. As esperanças estavam depositadas nele. A meta do Glorioso, que já havia sido defendida por grandes nomes como: Manga, Cao, Paulo Sérgio e Ricardo Cruz desta vez era protegida pelo jovem e desconhecido Bacana, que tinha a confiança do CAPITÃO DO TRI CAMPEONATO MUNDIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA, o mesmo cara que liderava Pelé, Tostão, Gérson Rivelino, depositava agora a fé no jovem arqueiro. 

Carlos Alberto e William Bacana comemorando juntos o feito inédito do Glorioso Carioca

E Bacana não desapontou. Na decisão parou dois uruguaios e levou o Botafogo ao topo da América do Sul. O Glorioso vencia a disputa de penalidades por 3 a 1 e levantava o troféu de uma competição internacional, se juntava ao rival Flamengo (até então), com únicos clubes cariocas com competição fora da "cancela brasileira". 


Veja os gols e lances do título do Botafogo.


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