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26 fevereiro 2017

As meninas do Brasil

Recentemente, em 2016, o Brasil sediou a sua primeira Olimpíada. Esta edição também foi a primeira realizada na América do Sul. Vários jogos foram disputados e várias medalhas conquistadas, dentre elas, o inédito ouro olímpico da seleção masculina de futebol. Após a conquista, a atenção da mídia e de torcedores era toda para eles. A seleção feminina de futebol também disputou os jogos, mas caiu antes da final e não conquistou nem o bronze olímpico.

É completamente notória a falta de investimento no futebol feminino no Brasil. A seleção masculina de futebol sempre está disputando jogos em diferentes tipos de competições que tem total cobertura midiática e todo o apoio financeiro das entidades responsáveis, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Já a seleção feminina é lembrada pelo público e pela mídia a cada edição do jogos olímpicos, embora dispute também outros campeonatos nesse intervalo de tempo.

O espaço que o futebol feminino recebe ainda é pouquíssimo. A falta de interesse se dá por um pensamento ainda enraizado no povo brasileiro de que “futebol é esporte para homem”. Vai além de ganhar uma medalha olímpica ou ter um Copa do Mundo com uma cobertura tal qual a do masculino. Analisando a postura do brasileiro, por exemplo, nas aulas de educação física quando as meninas são separadas do meninos e normalmente são postas para jogar vôlei, pois, não tem o porte físico para jogar futebol.

Em países como Estados Unidos e Alemanha o futebol feminino recebe tanta audiência quanto o masculino e investimento desde as categorias de base, uma realidade bem diferente da vivida pelas meninas brasileiras. A primeira dificuldade é encontrar onde treinar, já que a escolinhas são voltadas em grande maioria para os meninos. Na realidade do profissional falta investimento, falta patrocínio, falta estrutura para treinamento e a diferença de salários comparada ao masculino é gritante. Mesmo com todas essas dificuldades a Bola de Ouro da Fifa foi conquistada 5 vezes por Marta, atacante da seleção feminina.

Esta última edição dos Jogos Olímpicos mostrou claramente que o público brasileiro ainda não tem maturidade para lidar com “mulher boa de bola”, enquanto o placar era favorável o que se ouvia era “Marta melhor que o Neymar”, o falso apoio acabou quando as meninas perderam nos pênaltis para a Suécia, ainda na semifinal. O discurso passou a ser outro “deixa o futebol para os homens mesmo”.

É mais fácil dizer que futebol não é coisa de mulher do que entender e enfrentar a raiz do problema. Todos cobram títulos, medalhas e primeiras colocações da seleção feminina, mas fecham os olhos para a realidade em que o futebol feminino está inserido. Não basta ter transmissão na TV aberta, não basta criar torneios e pedir que ganhem, é necessária uma reestruturação desde a base ao profissional. É necessário, além de tudo, dizer para a menina que ela pode sim jogar futebol, dando toda a estrutura necessária para ela chegar ao profissional, da mesma forma que se faz com um menino.


Como ganhar títulos importantes estando em um estágio tão inferior de respeito, investimento e desenvolvimento de jogo? O futebol feminino não é fraco ou ruim, isso é consequência do não interesse. A falta de título não é o problema, é apenas o fim de um processo de falta de investimento e preconceito. 



Wanessa Caitano
https://www.facebook.com/wanessa.caitano



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