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19 fevereiro 2017

O futebol "gourmet" está acabando com a essência do esporte.

Maracanã, nos anos 80, recebendo torcida do Flamengo.



Há cinco ou oito anos atrás, ou até mesmo em nossos tempos de infância, íamos para o maior palco de espetáculos do mundo (o estádio) com o intuito de torcer pelo nosso time do coração e apreciar um pouco do esporte mais popular do planeta. 

Saíamos de nossas casas já com a alegria nas pernas e a garganta, já rouca, para mais um clássico ou decisão final do qual eu ou você daria a vida para levantar a taça de campeão com o clube de coração.

Antes do apito inicial do árbitro, uma adrenalina emocionante transformava o nosso eu em algo totalmente surreal. A demora em chegar ao estádio, à longa fila para dar os ingressos, a calorosa parte da geral que alegrava as partidas com seus gritos, os hinos, os sinalizadores... Tudo isso começou a acabar quando o chamado "futebol moderno" apareceu nos dias atuais. 

A cada ano que se passa as federações e os responsáveis que deveriam contribuir para o enriquecimento do esporte nacional, infelizmente, estão acabando com tudo. Os clássicos que, por mais tumultuados que fossem e, às vezes conflitantes, era o que deixava as cidades mais populosas do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, em um caldeirão imenso. Um domingo de sol e descanso é bom, mas um domingo de Corinthians vs Palmeiras, Flamengo vs Fluminense, ou Ceará vs Fortaleza é maravilhoso. 

No entanto, com a “nutellagem” modernista, tudo vem se tornando sem graça. A “gourmetização” das arenas e a elitização das mesmas deixou o esporte menos charmoso.

Torcidas únicas como nos três estados citados anteriormente, a proibição de baterias, o aumento dos ingressos, a não comemoração com a torcida e a blindagem do juiz no jogo, são pontos importantes que fazem do torcedor perder um pouco das suas expectativas em ver sua equipe jogar.

Sabemos que a violência está em todo o canto, mas também sabemos que deixando um clássico entre dois clubes com uma torcida só cantando para si mesmo, não valerá a pena investir, pois isso rebaixará o saudosismo confronto que está acontecendo naquele momento.

Isso demonstra o total despreparo que os responsáveis têm naquilo que estão ou irão fazer. Ora, a melhor opção seria rever os principais fatores que deixassem a segurança pública mais tranquila e sem atos de vandalismo local. 

É certo que a vida cotidiana está cada vez mais perigosa, todavia, inibir torcedores de verdade que querem assistir um duelo contra o seu principal rival da capital é perca de tempo.

A nova era da torcida única mostra que o futebol, aos poucos, vai se tornando uma vítima dos camaradas que se acham europeus. Infelizmente, a prática cruel de vandalismo entre torcidas ainda continua, mas é notório saber que se não for dentro do estádio, eles brigam fora, seja na rua ou dentro de um aeroporto.

Segurança em primeiro lugar, óbvio, mas o que está sendo pautado aqui é o efeito que isso dá aos jogos profissionais nos grandes estádios.  Não é defender a prática de bater ou brigar por um time, mas sim, fazer valorizar o verdadeiro evento que nos emociona. 

É o futebol da comemoração com a torcida, da atitude ousada, dos cinquenta mil torcedores vibrando e da discussão com o juiz. São esses atributos que há nesta prática esportiva que realmente queremos ver.

No Rio de Janeiro, acabaram com o Maracanã, e agora, decidiu-se torcidas únicas em clássicos com a função de dar paz à sociedade. Quem diria que a cidade maravilhosa passaria por isso, né? O futebol "gourmet" está acabando com a essência do esporte.


Maracanã mais atualizado, recebendo final entre Flamengo vs Vasco. 


Feito por: Robson Mateus. 







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