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12 março 2017

Péssimo Esporte Clube


Na semana do Dia Internacional da Mulher, o time mineiro Boa Esporte anunciou a contratação do goleiro Bruno Fernandes, ex atleta de Flamengo e Atlético-MG. Bruno estava preso desde 2010, acusado do assassinato da sua ex-companheira, Eliza Samudio. A condenação do goleiro saiu em 2013, a pena foi de 22 anos e 3 meses, mas desde então, como não teve seu recurso julgado, ele conseguiu a liberdade provisória no dia 24 de fevereiro. A decisão foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

Após a contratação tornar-se pública, as críticas nas redes sociais começaram em grande escala. Mesmo com inúmeras reclamações por todos os tipos de mídias, a diretoria afirmou em nota oficial que segue com o contrato e que está exercendo o seu papel social de ressocialização. 

A pergunta que fica é: se Bruno não tivesse uma história de fama em seu currículo e não fosse jogador profissional, esse papel social seria o mesmo?

Para além do contexto de ressocialização, o valor que está sendo dado para a vida de uma mulher é zero. Um homem que foi condenado e estava preso foi contratado em tempo recorde e tratado como herói desde a saída do presídio, visto que no dia em que recebeu autorização para sair, uma legião de fãs estava o esperando para tirar fotos e pedir autógrafos. A criança que cresce sem a mãe e que vai conviver com o fato de o pai ter mandando matá-la, não é lembrada. Os requintes de crueldade usados para matar e ocultar o corpo de Eliza também não.

Um dia após a notícia da contratação, o Boa Esporte perdeu seu primeiro patrocínio. A empresa de nutrição, Nutrends, anunciou a retirada imediata do apoio à equipe de Varginha (MG). Outro grande patrocinador, a Kanxa, vem sofrendo cobranças via redes sociais para também romper o contrato. Mesmo com esse revés o time continua mantendo o posicionamento.

O goleiro vem sendo tratado como ídolo e como um grande reforço para a equipe. Numa semana em que os direitos da mulher são debatidos mundialmente, o caso ganhou grande proporção e traz uma grande reflexão. Dentro do futebol a mentalidade machista ainda é muito nítida, infelizmente, a violência e o assassinato de Eliza parecem não ter tido valor algum no peso da contratação do goleiro.

A violência contra a mulher é um tema que precisa ser debatido em todos os âmbitos sociais, dentro do espaço do futebol também, pois ainda existem vários tabus quanto a mulher no futebol. Esse é um debate necessário, pois vemos casos parecidos com o de Bruno e Eliza diariamente. A novela da contratação segue e as cenas dos próximos capítulos estão sendo aguardadas pelo público. 

Wanessa Caitano 

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