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25 abril 2017

Real Madrid e a ditadura do General Franco


Que o Real Madrid é um dos maiores clubes do mundo é impossível negar, mas nem sempre foi assim. A supremacia merengue e o poderio econômico só foram melhorar durante o período do "franquismo"

Francisco Franco Bahamonde se tornou o general mais jovem da Europa e ditou as regras na Espanha por quase 40 anos. Além de ser uma ditadura truculenta, o franquismo, que nasceu vitorioso da Guerra Civil Espanhola (1936-39), abriu espaço para o fortalecimento do conservadorismo religioso. 

O Real contou, de fato, com a simpatia do “Generalíssimo” Francisco Franco e de seu estafe durante o período em que esteve no poder (1939-1975). Apesar dos torcedores negarem, o fato sempre foi questionado na Espanha, pois o General usava o Real como forma de fortalecer a imagem internacional do seu regime ditatorial. 

Embora negasse qualquer identificação com algum clube, a ditadura franquista reconhecia no Real Madrid duas características importantes do ponto de vista político: seu nome (Franco combatera a instauração da República) e sua origem castelhana.

A influência na contratação de Di Stéfano, a construção do estádio Santiago Bernabéu, o uso do clube como propaganda internacional e favores dos árbitros foram os principais fatores que a oposição e os clubes rivais reclamavam. 

Com um time dominante e o esporte movendo a população, a pobreza espanhola pôde ser varrida para debaixo do tapete das maracutaias e atraso em relação aos outros países europeus. 

A vinda de Di Stéfano para o Real Madrid é uma das maiores polêmicas do futebol. Ao lado de Puskás, Gento, Santamaria e outros craques, o argentino fez a alegria dos torcedores do clube madrilenho. O Real contratou o atacante e formou um poderoso esquadrão e ganhou cinco Copas dos Campeões, hoje a Champions League.

O craque é um dos grandes pivôs da disputa que alimenta até hoje a rivalidade entre Real e Barcelona. Lenda entre os torcedores merengues, o argentino chegou à Espanha para assinar com o Barça. No entanto, havia um imbróglio entre River Plate e Millonarios-COL sobre o dono de seus direitos. O Barça fechou com o River, enquanto o Real tratou com os colombianos (durante um tempo não reconhecidos pela Fifa). A decisão da federação espanhola foi que Di Stéfano atuasse uma temporada em cada time durante quatro anos. Ele chegou a disputar alguns amistosos pelo clube catalão, mas a diretoria madrilenha não desistiu de contratá-lo. A equipe catalã considerou o negócio absurdo e desistiu. Segundo alguns documentários, a influência de Franco na decisão da federação e no acerto com o argentino foi crucial.


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Rivalidade com o Barcelona

Outro motivo para que Franco apostasse no Real Madrid era a rivalidade com o Barcelona. Apesar de não ser tão aflorada até esse período, ela ganhou mais notoriedade durante o regime. Fazer uma poderosa linha de frente aos rebeldes catalães era uma meta – que tinham no Barça um porto seguro para se expressar e falar seu idioma. Franco proibiu o uso da língua catalã, mas no Camp Nou a torcida aproveitava para xingar, gritar e cantar no idioma próprio. 

Beneficiar os merengues seria uma forma de se sobressair em relação ao Barcelona, que há época já tinha grande destaque no esporte, e caso mantivesse sua boa fase poderiam virar febre nacional - um péssimo negócio para Franco, que para chegar ao poder teve como etapa final um conflito contra catalães.

Atlético x Real - Proletariado x Burguesia

Durante o Governo Franco, a miséria tomou de conta da Espanha fazendo com que os trabalhadores do campo migrassem para a cidade, mas com a falta de emprego agravassem os problemas sociais. 

Por muito tempo (até hoje), alguns especialistas dividem os times de Madrid com o Atlético representando os trabalhadores e o Real sendo o time dos grandes empresários. 

Para muitos é um equívoco, pois em algumas pesquisas provaram que é o Real Madrid quem tem mais torcida entre as classes mais baixas, apesar da melhor localização do Bernabéu: na Paseo de la Castellana, próximo a bancos e empresas de grande porte. 


Arena Indica

O documentário se chama "O Madrid real. A lenda negra da glória branca" e é de autoria de Carles Torras. Ex-dirigentes, Di Stéfano e até o neto de Francisco Franco dão depoimentos. O filme defende a ideia de que o Real seria um time modesto não fosse a ditadura franquista. 




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